LAIO

Tu és perfeito, Dirceu.
Tu és perfeito como um monstro,
Ou não saberias tomar-me em teus braços,
Do modo como se tomam as fêmeas.

DIRCEU

O sexo, meu caro príncipe,
É o que te mostro:
O sexo não tem sexo
– É ele quem faz um todo:
Se é que só me engoles,
É porque te fazes goela.
Parece não entenderes
Que muitas são as bocas,
E muitos os modos do provar.

LAIO

Tu desconheces que sou um príncipe!
Tu, deliberadamente, o desconheces!
Quem pagará por teu crime,
Se até tua morte não pesa
Como pesa o corpo do que é uma herança?

DIRCEU

Se te ensinei a gemer sob meu peso,
Até parece que foi este o meu ensino.
É que aprendes, Laio, só o que já sabes,
E tuas questões, agora,
Assim como as que são de um vitimado,
São demais para este momento.
Teus escrúpulos são tão falsos
Quanto são, eles mesmos, já passados.

  (ATO I, Scena I, págs. 60 e 61)  
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