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Tu és perfeito, Dirceu.
Tu és perfeito como um monstro,
Ou não saberias tomar-me em teus braços,
Do modo como se
tomam as fêmeas.
O sexo, meu caro
príncipe,
É o que te mostro:
O sexo não tem
sexo
É ele quem faz
um todo:
Se é que só me
engoles,
É porque te fazes
goela.
Parece não
entenderes
Que muitas são as
bocas,
E muitos os modos
do provar.
Tu desconheces que sou um
príncipe!
Tu,
deliberadamente, o desconheces!
Quem pagará por
teu crime,
Se até tua morte
não pesa
Como pesa o corpo
do que é uma herança?
Se te ensinei a gemer sob meu peso,
Até parece que foi este o meu ensino.
É que aprendes, Laio, só o que já
sabes,
E tuas questões, agora,
Assim como as que são de um vitimado,
São demais para este momento.
Teus escrúpulos são tão falsos
Quanto são, eles mesmos, já passados.
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