O livro À Busca de Édipo Pessoa-Física é uma delicada e bem humorada resposta, posto que em sofisticada estrutura quase formal de trabalho científico, a uma pergunta feita durante um Seminário de Avanço, quando mais uma vez falava-se do mítico e poderoso e maldito Rei que deixara Thebas à esquerda de toda a Grécia que um dia mostrou-se em ambições de poder e unificação.
A pergunta, à queima-roupa:
— "Mas este tal de Édipo existiu mesmo?"
Quase todos os presentes ali, de algum modo, sabiam que Édipo só nos importava pelo que, no mítico da Psicanálise, ele havia sido citado (leitura minha) como ícone da passagem da condição de besta para a de humano, uma vez que, como personagem, não pudera esconder-se no estatuto da ignorância absoluta, ao mesmo tempo que já respondia pela responsabilidade de seu ignorar; o que só a formulação de Freud claramente poderia atribuir-lhe.
Mais concreta que a pergunta, esta resposta só pôde decolar por ter entrado, e não ter podido sair do muito mais universo mítico do que o muito da história, do teatro grego, e da ciência — esta que miticamente sempre se diz fora de toda ficção.

Humberto Haydt